Show das motos, uma aula para os carros

Na última etapa da MotoGP uma corrida para entrar para a história, já o GP Brasil deixou muito a desejar

 

Não é de hoje, já faz tempo que os novos talentos da MotoGP são muito mais ousados que os da Fórmula 1. Nesse fim de semana, aconteceram duas etapas distintas, a derradeira das motos em Valência e a semifinal dos carros em Interlagos. Valeu muito a pena acordar cedo para acompanhar as três categorias das duas rodas, mas não valeu tanto a pena deixar o cochilo da tarde para torcer pelas quatro.

A coisa começou quente logo na Moto3. Foi uma corrida emocionante e cheia de alternativas, dois pilotos lutavam diretamente pelo título e foi realmente uma batalha. Jack Muller e Alex Marquez largaram juntos, erraram juntos, se recuperaram juntos e cruzaram a faixa final separados, Muller ganhou e Marquez foi terceiro, o suficiente para o espanhol ser coroado campeão do ano na Moto3.

O Alex é irmão mais novo do bicampeão da MotoGP Marc Marquez, deve ser a água que bebem, tanto um como outro tem a mesma tocada, a mesma frieza nas ações e sempre buscam o melhor resultado, para eles só interessa a vitória. Seja como for, daqui a dois anos mais ou menos, acredito que vamos poder vê-los juntos na categoria rainha, tá bom pra você?

Na Moto2 o título já estava decido em favor do também espanhol Esteve Rabat. O campeão fez uma corrida de campeão, dominou inteiramente seus adversários, apesar de ser incomodado durante metade final da corrida pelo suíço Thomas Luthi, que é dedicado e aplicado, preciso como todos nascidos no paraíso fiscal, mas não tem o mesmo talento dos espanhóis nas duas rodas.

Acontece que, a Moto2 é o último degrau antes da MotoGP, e aqui brincar pode custar muito caro. Foi o que aconteceu com o espanhol, ele apontou na reta para receber a bandeirada e vencer a corrida, tentou empinar a moto, não consegui e, como um raio, Luthi ultrapassou Rabat e venceu a etapa. Foi uma das maiores carimbadas de faixa que já vi na minha vida e não me resta outra reação: CHUPA RABAT!

Já na MotoGP, fui testemunha de uma verdadeira aula do THE DOCTOR. Valentino Rossi é o maior piloto de moto do mundo, sabe como ninguém trabalhar na técnica e na tática para implodir seus adversários. Fazendo as contas, se o Marc Marquez não estivesse correndo na categoria, o italiano seria o campeão do ano, colocando no bolso tanto Lorenzo quando Pedrosa.

Logo na largada, em que ele disparou na frente, não deu a menor chance aos dois que lutavam com ele pelo vice-campeonato, dominou inteiramente a primeira metade da prova, até, claro, a chegada de Marquez que passou e foi embora. Daí veio a chuva, nem ele nem o campeão do ano trocaram de moto, coisa que Pedrosa também resolveu acompanhar. Já Lorenzo, quis dar o pulo do gato, trocou a moto e voltou todo pimpão pra pista. Ele voltou e a chuva se mandou, passou a ser o mais lento de todos, voltou para os boxes e desistiu.

No fim, Marquez venceu, Valentino foi segundo e garantiu o vice-campeonato, colocou uma pedra na cabeça de Lorenzo e ambos partem para 2015 como favoritos a disputar o título. Já Pedrosa chegou ao fundo do poço, acabou em quarto no campeonato, atrás do companheiro e das duas Yamaha, muito pouco para quem até outro dia era considerado favorito a brigar pela coroa. A MotoGP apaga suas luzes, infelizmente, mas podemos esperar uma nova temporada mais forte para os melhores, sempre.

Já a Fórmula 1 teve sua etapa em Interlagos, palco de grandes disputas e histórias de superação para se vencer em um dos circuitos mais técnicos da temporada. Só que não. Foi uma corrida facilmente dominada pelos carros da Mercedes, restou aos outros correrem atrás e tentar algo. Há quem diga que achou o GP o máximo, disputadíssimo e outros que tais, mas na verdade foi uma disputa sonolenta, fraca e que deixou muito a desejar. Não choveu, ninguém bateu, os pneus agüentaram até o fim e nem bandeira amarela foi agitada. Ainda acha que foi legal? A melhor coisa foi o Nelson Piquet tentando dar um beijo no Niki Lauda, isso sim é sensacional!

Teve momentos de trapalhões, com o Hamilton quase sem pneus indo passear na área de escape e o pior de todos, talvez pelo fato do Massa ter se inspirado no seu sósia Zacarias, ele ultrapassou a velocidade limite dos boxes na hora de pagar a pena ele ainda errou a garagem. Mesmo assim chegou em terceiro, mostrando que nem nas trocas houve ultrapassagens. Foi uma corrida chata, ninguém esteve sob ameaça em tempo nenhum, quem chegou mais perto disso foi Hamilton, quase no fim da corrida.

Rosberg não tinha nada com isso, fez muito bem para o que é regiamente pago, venceu, diminuiu a diferença para o inglês para 17 pontos e vai pra Abu Dhabi à espera de um milagre: vencer e Lewis não chegar em segundo. O meu palpite é que o Lewis vence a corrida, leva o título e ainda continua a conversa com a McLaren, parada por conta do fim do campeonato.

Eu volto na terça-feira, para falar um pouco mais de Fórmula 1, afinal, é o único campeonato que resta esse ano, quem me dera poder falar de alguma coisa sobre o Brasil, mas infelizmente aqui automobilismo e motociclismo não existem.

A gente se encontra na semana que vêm!

Coluna do Borracha

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Texto: Eduardo Abbas

Fotos:  F1.com

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