Expedição Raízes do Rio Amazonas: confira a rotina pela BR319

Expedicionários enviam relato diretamente das margens do Rio Madeira

Marcelo Leite segue sua jornada inédita percorrendo com seus companheiros a área de influencia do Rio Amazonas de motocicleta. Há mais de um mês o grupo enfrenta as intempéries da região nesta aventura extrema e segue firme para encarar a segunda etapa que teve início em Humaitá.

Confira abaixo o relato enviado por Marcelo diretamente do coração da maior floresta do mundo, entre perigos da BR319, chamada por alguns de “Estrada Fantasma”, acampamentos improvisados e mais personagens únicos.
“O Rio Madeira é um dos mais famosos dentre os afluentes do Amazonas. A vida em Humaitá gira em torno do rio. Para nós, Humaitá foi um momento especial de comemoração. Havíamos completado a Primeira Etapa da Expedição.
A Segunda Parte começa justamente no trecho que corre paralelo ao Rio Madeira. É a ligação Humaitá-Manaus pela lendária BR319 que alguns chamam de ‘Estrada Fantasma’.
O inicio da BR319 foi tranquilo, mas ao final da tarde uma chuva transformou o chão de terra em uma lama argilosa extremamente desafiadora. Trecho difícil. Quase uma hora para fazer não mais que dois quilômetros! A noite caiu e ainda estamos longe do ponto que imaginávamos chegar.
Improvisamos um acampamento usando as quatro motos como estrutura e cobrindo com galhos e folhagem. Fizemos um ‘fumaçal’ para espantar insetos e outros eventuais bichos. Duas latas de atum foram nosso banquete. O cansaço do dia intenso nos fez dormir surpreendentemente bem.
Apostamos que o dia seguinte estaria seco e tranquilo, mas as gotas que atravessavam as folhagens estourando sobre nosso rosto nos lembravam que nossa vida não seria fácil.
Depois de um gostoso café improvisado, retomamos a briga com a lama. Começamos perdendo e até mergulhando algumas vezes, mas pouco a pouco o placar foi virando a nosso favor. Começamos a vencer os lamaçais. Contamos 105 pontes de madeira. Em muitas delas é preciso parar e definir uma estratégia de travessia. E assim fomos avançando até chegar ao final de tarde à casa de Seu João e Dona Maria. Nunca um prato de galinha, ovos e arroz esteve tão gostoso! E ainda pudemos tomar banho no igarapé dos fundos. Dormimos na rede e logo que o Sol surgiu no horizonte saímos rodando. Fizemos uma parada rápida em Igapó-Açu para abastecer e chegamos ainda de manhã em Manaus.”
Foto: Divulgação