Entre cerejeiras e girassóis

Um fim de semana com definição de títulos em duas categorias, para alegria geral

O ditado que afirma “o melhor tem sempre que vencer!” acabou servindo como uma luva para o fim de semana de definições nas maiores categorias de carros e motos. Falta ainda a definição de piloto na Fórmula 1, mas a mais competente equipe já está comemorando. Na MotoGP não teve dúvidas, como eu havia adiantado aqui na coluna, o Japão seria o lugar onde a Honda coroaria o mais novo bicampeão da categoria. E foi!

A madrugada começou quente em Motegi, a desafiadora pista japonesa aprontou algumas surpresas antes da largada, como a pole position conquistada por Andrea Dovizioso e sua Ducati. Seria uma corrida de recuperação para Marc Marquez, que largava na segunda fila. Não deu outra. Lorenzo, que não tinha nada com isso, logo disparou na ponta, deixando Rossi e Dovizioso brigando pela segunda posição. Com uma atitude que diferencia os gênios dos normais, o Marquez partiu pra cima do companheiro de equipe e veio fazendo fila até encontrar Rossi.

Ambos lutaram muito pelo segundo lugar, mas acabou prevalecendo à estrela do espanhol e da Honda. Disparado na frente, Lorenzo fez uma corrida perfeita e venceu sem muitas dificuldades nem grandes brigas. Marc foi o segundo, seguido de Rossi, bicampeonato na MotoGP para o espanhol de 21 anos, o 4º título se contarmos o das 125 cc e a Moto2.

O desafio agora é de três pilotos: Rossi e Pedrosa, ambos com 230 pontos e agora Lorenzo, com 227, todos lutando pelo vice-campeonato de um ano coroado por Marquez. Eu acredito que o Valentino leva essa, apesar do melhor momento de Lorenzo, e mais uma vez Pedrosa vai ficar como coadjuvante nessa história. Acho que é chegada a hora de uma separação amigável, afinal, Dani vive a crise do segundo piloto e acredito que nunca vai conquistar um título contra Marquez na Honda, quem sabe em outra equipe com outros ares a vontade de vencer não volta?

Das cerejeiras para os girassóis, a Fórmula 1 abriu as portas da Rússia para o primeiro GP por aquelas bandas, para ser amplamente dominado por um inglês. Hamilton foi superior em todos os treinos e sobrou muito na corrida, até parecia que corria sozinho, tamanha sua facilidade em conquistar o primeiro triunfo em terras russas e parte, com eu disse no começo do ano, favoritíssimo para conquistar o título da temporada.

Claro que seu companheiro de equipe deu a maior força na corrida. Logo na largada Rosberg perdeu o ponto da freada e fritou os 4 pneus por muito tempo, jogando fora uma provável disputa com o companheiro pela ponta, teve que antecipar a troca, caiu pra último e fez uma sensacional prova de recuperação. Pilotou como nunca e conseguiu ainda minimizar o desastre chegando em segundo. Com o resultado, a Mercedes conquistou, com três provas de antecipação, o seu primeiro campeonato de construtores, fazendo história e mostrando que a eficiência alemã tem resultados quase sempre positivos.

Em terceiro chegou Bottas, com uma corrida perfeita, sem erros, e agora está em 4º no campeonato de pilotos e coloca a Williams em terceiro no campeonato. Não adianta querer tampar o sol com a peneira, seu companheiro de equipe em quase nada ajuda, tem metade dos pontos do jovem finlandês e vive chorando as pitangas, ele nunca erra, ou é o carro ou são os outros. O “Peter Perfeito”, segundo palavras dele, teve dificuldades em ultrapassar por causa do trânsito. Engraçado que depois da troca de pneus ele estava atrás do Rosberg, o alemão chegou em segundo e ele nem nos pontos. Se ele ficou assim com o trânsito em Sochi, imagina se guiasse em São Paulo, nunca chegaria a nenhum compromisso.

Por essas e por outras, com a dança das cadeiras em pleno vapor, Bottas é objeto de desejo da Mercedes para 2015. Segundo meus passarinhos europeus, as negociações com Alonso na McLaren podem parar. A Honda até quer o espanhol na equipe, mas, e sempre existe o mas, desde a sua passagem pelo time inglês sua presença não é bem vista por alguns, digamos, diretores. Até onde pude apurar, parece que o interesse maior seria pela volta de Hamilton, já campeão do mundo pela segunda vez, e que deixaria o banco vago na Mercedes, que optaria por Bottas. Pelo jeito, o espanhol pode ter uma vaga na Lotus, que tenta se reestruturar, na Williams fazendo dupla novamente com o Zacarias, ou mesmo partir para um ano sabático.

A torcida agora tem que ser para o Felipe, mas o Nasr. Ele não tem mais chance de ser campeão na GP2, deve garantir o vice e, se tudo der certo, vai acertar um lugar no grid da F1 em 2015. Nasr seria a aposta ideal para a Williams caso Bottas saia, mas a equipe não parece muito afim, e na verdade nem eu gostaria, afinal, como eu disse a algumas colunas atrás, a Williams joga contra. Vamos esperar mais três semanas, que é quando a Fórmula 1 volta nos Estados Unidos, quem sabe já teremos algumas definições. Enquanto isso, no fim de semana tem mais MotoGP, agora na Austrália e eu analiso tudo na terça-feira.

A gente se encontra na semana que vêm!

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Texto: Eduardo Abbas

Fotos: F1.com e MotoGP.com