Coluna do Borracha - Estamos usando os verbos errados

Coluna do Borracha – Estamos usando os verbos errados

A língua portuguesa e suas variações fonéticas são, muitas vezes, responsáveis pelas promessas virarem fumaça.
Mais um fim de semana movimentadíssimo no esporte acabou em louros, choros e outros ingredientes que formam o bolo de emoções que vivemos. Tivemos uma estupenda etapa da motovelocidade, uma interessantíssima prova meio de dia, meio de noite na Indy e uma final de copa do mundo. Sabe o que as três têm em comum? Planejar, um verbo pouco utilizado pelos brasileiros, que preferem achar ou imaginar.

Foi com planejamento que na tarde de sábado a Fórmula Indy disputou mais uma etapa, agora em Iwoa, terra do milho americano e das 300 voltas mais rápidas no lindo oval. Uma corrida típica, meio caipira, mas com muitas coisas de cidade grande. O Tony Kanaan fez a pole, largou muito bem e logo depois teve que parar, assim como todos os outros, por causa da chuva. Meia hora depois, o baiano continuou mostrando a superioridade do time e liderou 247 voltas, mas, e sempre existe o mas, a sua equipe se atrapalhou no planejamento final da corrida, quando vários pilotos usaram uma bandeira amarela para trocar os pneus, o brasileiro continuou na pista. Sabe o que aconteceu?

O apagadíssimo Ryan Hunter-Reay tomou a ponta faltando duas voltas para o fim. Incapaz de reverter o resultado restou ao Tony um terceiro lugar, pois o Josef Newgarden ainda tomou o segundo. Falta do que? Sorte? Não, planejamento, saber administrar situações de adversidade, pecar talvez pelo excesso e não pela falta.

No fim de semana tem mais Indy, agora em Toronto, no Canadá, em rodada dupla. Vai ser uma etapa para o Helinho tentar garantir a liderança do campeonato conquistada nesse fim de semana, vai ser um tempo curto pra se pensar no que passou, mas serão dias longos para se tentar conjugar mais alguns verbos: conversar, pensar e agir.

Sob a regência do verbo superar, na Alemanha aconteceu o fim de semana da Motovelocidade. Foram muitos verbos e muitas emoções, mas para nós brasileiros começa finalmente surgir a luz no fim do túnel. Trabalhar, estudar, pilotar e conquistar, finalmente começam a fazer sentido na vida de Eric Granado. O brasileiro vive agora um novo momento na vida e na carreira, esta se encontrando como piloto e ser humano e teve o fim de semana coroado com os primeiros pontos na Moto3. Pode parecer, aos olhos de críticos que nunca subiram em uma moto, pouco, mas representam, finalmente, uma oportunidade do Brasil voltar à categoria máxima. Tudo graças à ousadia e coragem do Eric, porque apoio do governo ou mesmo da entidade que representa o motociclismo ele nunca teve, aliás, essas entidades querem apenas a taxa. Go Eric!

Ainda sob o sol da Germânia, a MotoGP continua a ser a maior categoria em emoção do mundo. Em uma das mais espantosas largadas, sim, pois os pilotos estavam com pneus de chuva e 60% do grid resolveu, após a volta de apresentação, trocar por slick´s e partir dos boxes. Um grid vazio saiu na frente e depois o imenso batalhão de motos que prometiam fazer um grande show, entre eles Marquez, Rossi, Lorenzo e Pedrosa. Prometeram e cumpriram, a grande salada de posições logo caiu na real, a ordem dos mais fortes prevaleceu sobre aqueles que preferiram esperar acontecer. Os verbos ousar, trocar e conquistar estavam escritos em cada viseira dos vencedores, deixar para mais tarde ou simplesmente não fazer, acarretou na maior decepção que aquela meia dúzia de tontos conseguiu ter num fim de semana que poderia ser muito melhor.

Marc Marquez conquistou a nona vitória no ano, não precisa mais vencer nenhuma até o fim do campeonato para ser bi, e agora partem para um curto período de férias até chegar a Indianápolis no mês que vem. A grande façanha ficou por conta da recuperação de Lorenzo, que voltou ao pódio e, quem sabe, ainda consegue brigar com o Valentino e o Pedrosa pelo vice, claro, pois o título já tem dono.

Vou ficando por aqui, citando mais alguns verbos, esses utilizados pela seleção alemã de futebol: chegar, ver, aprender, gostar, divertir, treinar, jogar, vencer e reinar. Como fizeram os portugueses que em 1500 aportaram em terras baianas, os alemães fizeram o mesmo agora em 2014. O tal povo frio se vestiu de Brasil, se lançou na disputa como se não houvesse amanhã, e viveu a glória de ser campeão do mundo em outro continente. Trouxeram sua garra, seu poder de superação e, principalmente sua imensa capacidade de organizar, planejar e realizar. Ao contrario do que diz o Coringa, no filme Batman, o cavaleiro das trevas, fazer bons planos geralmente rende bons frutos, evita lágrimas e permite ao chamado “povo frio” momentos quentes como essa selfie com a mandante da nação.

A gente se encontra na semana que vêm!

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