AUTOMÓVEIS MAIS AMPLOS
Houve um tempo em que o total de fabricantes aqui instalados tinha um lançamento a cada dois anos. Agora, podem surgir dois modelos inteiramente novos na mesma semana. Aliás, separados por 24 horas: Chevrolet Cobalt e novo Fiat Palio.
Estratégia de oferecer três motores (1,0/75 cv; 1,4/88 cv e 1,6/117 cv), três versões de acabamento (Attractive, Essence e Sporting), além de manter o Palio Fire (sem mudanças desde 2003), demonstra que a amplitude do ataque será grande. Attractive 1,4, a partir de R$ 34.290 e adicionando vários opcionais, fica mais caro apenas que o atual preço do chinês J3 (R$ 37.990), sem o reajuste do IPI adiado para dezembro próximo.
Com 1.007 kg de peso, motor 1,4 fica justo, mas sua potência específica não se destaca. Motor menor é fraco para o carro, ao contrário do 1,6, só alegria (Sporting tem diferencial mais curto, só que a diferença pouco se nota por ser mais equipado e de maior massa). Suspensões, agora, estão sutilmente mais firmes, subindo um degrau em dirigibilidade. Pontos fracos: ausência de lanterna traseira de neblina e diâmetro pequeno de velocímetro e conta-giros.
Com o sedã Cobalt a Chevrolet embarcou no conceito cheap space (tradução livre: mais espaço, preço menor). Pioneiro foi o Renault Logan, seguido pelo Nissan Versa. E o grande apelo do novo carro é justamente esse: 2,62 m de entre-eixos (só um cm menos que o Logan) e 1,74 m de largura (igual ao romeno), o que permite volume interno 7% maior que Astra sedã e 4% que o último Vectra. Porta-malas surpreende: 563 litros, maior que muitos modelos grandes. Dimensões de segmento C, porém ao preço de B, pois começa em R$ 39.980 (LT) e chega a R$ 45.980,00 (LTZ).
Para operar esse “milagre” torna-se necessário partir de nova arquitetura simplificada e flexível. Cobalt, embora desenhado e desenvolvido no Brasil, baseia-se no projeto Aveo/Sonic de origem sul-coreana. O carro será vendido em 40 países cujo poder aquisitivo afasta-se de Europa Ocidental, EUA e Japão. Abrir portas amplas e verificar que motorista e acompanhante têm liberdade de movimentos é bem agradável. Atrás, ótimo espaço para as pernas. Suspensões muito bem acertadas se destacam. Motor 1.4/102 cv vai bem, porém insuficiente quando totalmente carregado. Melhorou o manuseio da caixa manual. Em abril do próximo ano virá motor 1.8/114 cv e câmbio automático 6-marchas.
Estilo não é seu ponto forte, porém menos polêmico que o Agile. A favor, painel, quadro de instrumentos e volante. Aspectos negativos: visibilidade traseira em razão da tampa alta do porta-malas e estepe de uso temporário (explica, em parte, o volume útil para bagagem).
RODA VIVA
TANTO Anfavea como Fenabrave mantêm a previsão de 2011 fechar com 3,69 milhões de unidades comercializadas, incluindo caminhões e ônibus. Não se assustam com os 40 dias de estoque (normal, 30). Atribuem o tropeço em outubro (menos 10% em relação a setembro) ao menor número de dias úteis, ao noticiário econômico negativo e ao imbróglio do IPI.
TOYOTA deu uma arrumada no visual de sua linha Hilux de picapes médias a diesel, lançada como ano-modelo 2012. Nada de profundo, mas o resultado alcançado é razoável. No interior, menos mudanças. Destaque para tela de LCD no centro do painel, mas, estranhamente, não há opção de navegador GPS. Na parte mecânica, a única novidade ficou para abril próximo: motor V-6 flex de 163 cv, no lugar do atual a gasolina. Preços de R$ 85.690 (cabine simples) a R$ 141.920 (cabine dupla).
UTILITÁRIO esporte SW4 recebeu as mesmas modificações estéticas da Hilux. Molduras dos para-lamas mais encorpados têm estética melhor no SUV. Passa a oferecer, de novo, opção de cinco e sete lugares. Dirigibilidade é melhor que na picape e inclui, como esta, controle de trajetória (ESC). Interior sente o peso dos anos. Nível de ruído podia melhorar se o câmbio automático tivesse mais de quatro marchas. Custa R$ 170.400, mais R$ 4.500, com sete lugares. Gasolina: R$ 157.000.
BEM que a Fiat queria. Acabou desistindo de tentar enquadrar os produtos Chrysler vindos do México (crossover Journey e picape pesada Ram) sem o aumento de 30 pontos percentuais no IPI. As duas empresas formam um mesmo grupo. Entretanto, a marca americana, apesar de duas tentativas anteriores, não possui nenhuma atividade fabril no Brasil. Por enquanto...
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