A dupla Elson Cascão II e Elson Menezes, da Kandangus Rally Team, participa do Rally Internacional dos Sertões com o protótipo Sherpa V2. A largada será em Goiânia (GO), no dia 10 de agosto, e chegada em Fortaleza (CE)
São dez dias cortando o coração do Brasil, 4.026 Km de muito chão, poeira, aventura e adrenalina e o desejo de cruzar a linha de chegada com direito a participação no pódio. A equipe Kandangus Rally Team (TEXACO, GASOL COMBUSTÍVEIS, MENESES OFF ROAD) disputa pela 11ª vez o Rally Internacional do Sertões, a principal competição off road do país, com largada no dia 10 de agosto em Goiânia (GO) e chegada, dez dias depois, em Fortaleza (CE). Queremos melhorar o 18º lugar que conquistamos na disputa do ano passado”, conta Elson Cascão II, piloto da equipe brasiliense.
A Kandangus vai correr, pelo terceiro ano consecutivo, com o Sherpa V2, protótipo construído com base nas experiências das pistas off road. A estrutura, suspensão e motor, por exemplo, são diferentes de uma pickup de série adaptada para rali. Tudo no carro é pensado para uma competição do porte de um rali interncional, como o Sertões. Este ano, o carro da equipe brasiliense sofreu alguns ajustes – em relação ao ano passado – para turbinar a performance. Além da preparação do motor, houve a a troca de caixa de transferência que vai permitir uma melhora substancial no rendimento do protótipo. “As mudanças vão fazer com o que carro ande mais, ganhe velocidade”, revela Elson Meneses, que acumula a função de navegador e mêcanico da equipe.
Por dentro do Sherpa V2
O Sherpa V2 é um protótipo brasileiro desenvolvido em São Paulo pelo projetista e piloto Richard Vaders que foi campeão da categoria em 2008. O carro é montado em um chassi tubular super reforçado, com uma suspenção desenvolvida especialmente para o veículo. No Sherpa da Kandangus são dois amortecederores por roda e a suspenção traseira conta, ainda, com um sistema de amortecimento auxiliar por causa do sobrepeso dos equipamentos: tanque de combustível que aceita 250 litros, caixa de ferramentas, dois estepes, dentre outros. O motor é um MWM, 4 cilindros, Diesel, de 300 cavalos de potência e caixa de marcha Eaton de cinco velocidades. Os diferênciais dianteiro e traseiro são da marca Mitsubishi e toda essa mecânica permite o carro alcançar uma velocidade final de 200 Km/h, com uma média de 3 km/litro de consumo.
Dentro do Sherpa viajam, também, quatro equipamentos exigidos pela organização da prova para comunicação e localização: computador de bordo (para o auxilio e localização no livro de bordo sobre o percurso da prova), GPS (no caso das provas com o uso de Way Points – usado nos trajetos que não estão computados na planilha), Sentinel (para uso da organização no sentido de verificação de rota, velocidade em trechos de radar e localização de carro acidentado) e rádio amador (para comunicação entre pilotos e organização). Além disso, é obrigatório o sistema de incêndio aprovado pela Confederação Brasileira de Automobilismo(CBA): capacete, macacão, luvas, botas e balaclava anti-chama.
Teste
No final de maio, a Kandangus teve a o oportunidade de testar o carro na etapa do Sertões Series, que aconteceu em Botucatu (SP). A competição foi uma prévia para os Sertões e somou pontos para a segunda etapa do Campeonato Brasileiro de Rally Cross Country. A equipe ficou na 7ª colocação na categoria. “O percurso mostrou quais são os ajustes que preciso fazer no carro, como por exemplo trocar a turbina”, revela Meneses, que durante as quatro semanas que antecedem a prova se debruça minusciosamente na montagem do Sherpa.
Saiba mais sobre a Kandangus
Elson Cascão II é um veterano de rali. A primeira participação foi em 1999. Em 2001, apenas dois anos depois, ele subiu no lugar mais alto do pódio ao conquistar o 1º lugar no campeonato brasileiro. Um ano antes, em 2000, já havia conquistado o vice-campeonato brasileiro, ambos na categoria regularidade. À época, seu navegador era o amigo de infância, Geraldo Malvar. No Rally Internacional dos Sertões, das 10 participações, o melhor resultado foi em 2003, quando a dupla ficou em 5º lugar, na categoria “Prodution”, onde se pode competir com custos menores.
Dupla de xarás
É o terceiro ano que Cascão e Meneses formam a dupla piloto/navegador. Em 2009, quando correram juntos pela primeira vez, a Kandangus disputou na categoria Protótipo T1 e alcançou o 8º lugar e o 10º no ranking geral. Em 2010, ficou na 18ª colocação geral. Antes de virar navegador, no entanto, Meneses foi, por nove anos, o chefe de equipe da Kandangus e comandava um time de dez profissionais que viajam no caminhão de apoio. Hoje a chefia está sob o comando de Rubens Vilela e ele lidera um grupo que tem uma mulher na equipe, Dona Marlene, a cozinheira e sogra de Meneses.
Investimento
Disputar o Rally Internacional dos Sertões demanda um investimento de aproximadamente R$ 300 mil por temporada – na calculadora da Kandangus. Só para colocar o Sherpa em condições de corrida são gastos R$ 170 mil. Para largar e cruzar alinha de chegada, a equipe de Brasília conta com patrocínios de peso: TEXACO, GASOL COMBUSTÍVEIS e a MENESES OFF ROAD. “O desafio, a adrenalina, a paixão fazem valer a pena”, contam os xarás que chegam a dormir, em média, apenas 5 horas por noite durante os dez dias de competição.
Compromisso Social
A equipe brasiliense está comprometida, também, com uma causa social. Como nos anos anteriores, a marca das células-tronco embrionárias estará estampada no carro divulgando a importância desse estudo para a ciência e para o futuro do planeta. "É necessário conscientizar a população a buscar formas de se investir mais nas pesquisas", conta Cascão.
Percurso e novidades
O roteiro terá 2.411 quilômetros de especiais - 60% do trajeto total – onde os competidores de motos, quadriciclos, carros e caminhões vão cruzar cinco estados brasileiros – Goiás, Tocantins, Maranhão, Piauí e Ceará –, e encarar obstáculos desconhecidos em alta velocidade (veja detalhamento de percurso abaixo). Este ano, foram apresentadas algumas novidades. O prólogo, por exemplo (que define a ordem de largada para a primeira etapa do rali), será realizado no período da manhã e classificará os oito primeiros colocados para um super prime. Após um breve descanso, à noite, os participantes classificados retornam ao circuito fechado para definir suas posições no grid. O super prime será em espécie "mata-mata" e haverá premiação. Vale ressaltar que a organização anunciou que está será a prova mais técina de todas as 19 edições do Rally Internacional dos Sertões.
Confira o roteiro divulgado pelos organizadores:
1ª etapa - 10/08
Goiânia-GO a Pirenópolis-GO
Deslocamento Inicial: 143 km
Trecho especial: 83 km
Deslocamento final: 10 km
Total do dia: 236 km
2ª etapa - 11/08
Pirenópolis -GO a Porangatu -GO
Deslocamento inicial: 37 km
Trecho especial: 290 km
Deslocamento final: 257 km
Total do dia: 584 km
3ª etapa - 12/08
Porangatu -GO a Gurupi -TO
Deslocamento inicial: 66 km
Trecho especial: 285 km
Deslocamento final: 104 km
Total do dia: 455 km
4ª etapa - 13/08
Gurupi -TO a Porto Nacional -TO
Deslocamento inicial: 16 km
Trecho especial: 140 km
Deslocamento final: 50 km
Total do dia: 206 km
5ª etapa - 14/08
Porto Nacional -TO a Lizarda -TO
Deslocamento inicial: 140 km
Trecho especial: 330 km
Deslocamento final: 1 km
Total do dia: 471 km
6ª etapa - 15/08
Lizarda -TO a Balsas -MA
Deslocamento inicial: 1 km
Trecho especial: 428 km
Deslocamento final: 7 km
Total do dia: 436 km
7ª etapa - 16/08
Balsas -MA a Barra do Corda -MA
Deslocamento inicial: 10 km
Trecho especial: 306 km
Deslocamento final: 6 km
Total do dia: 322 km
8ª etapa - 17/08
Barra do Corda -MA a Teresina -PI
Deslocamento inicial: 9 km
Trecho especial: 210 km
Deslocamento final: 321 km
Total do dia: 540 km
9ª etapa - 18/08
Teresina -PI a Sobral -CE
Deslocamento inicial: 71 km
Trecho especial: 253 km
Deslocamento final: 181 km
Total do dia: 505 km
10ª etapa - 19/08
Sobral -CE a Fortaleza -CE
Deslocamento inicial: 15 km
Trecho especial: 86 km
Deslocamento final: 170 km
Total do dia: 271 km
Premiação 19º Rally Sertões - 20/08
Fortaleza -CE
Foto: Divulgação




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