Que as marcas chinesas estão invadindo o mercado brasileiro, isso ninguém tem dúvida. Que elas devem tomar boa parte do mercado nacional, isso também parece uma questão de tempo. Mas, irão os chineses dominar o mercado brasileiro de automóveis? Isso ninguém pode garantir, mas parece mesmo que eles consideram essa uma possibilidade factível.
A estratégia dos chineses para ganhar o mundo não é segredo para ninguém: preço baixo, garantia maior do que a oferecida pela concorrência, designer arrojado e carros super equipados, são alguns de seus apelos. Foi assim que eles se tornaram os maiores fabricantes do mundo, ultrapassando os Estados Unidos que durante todo o século passado deteve essa prerrogativa.
Aliás, foi seguindo esta mesma lógica que o oriente passou a liderar, pela primeira vez na história, a produção de veículos automotores globalmente. Mas o que poderiam o ocidente, em especial as marcas dominadoras, fazer para impedir o avanço dos chineses? A competição não será nada fácil, mas liderado pela indústria norte americana e alemã, os estudos para ganho de produtividade e economia dos motores a combustão tem evoluído enormemente (é também verdade que o Japão e Coréia estão conseguindo resultados admiráveis).
Há pouco tempo atrás era raro encontrar um carro confortável que fizesse mais de dez quilômetros com um litro de gasolina. Atualmente, não é difícil encontrar modelos que fazem mais de vinte quilômetros, ou seja, em menos de dez anos a indústria dobrou a capacidade de economia dos beberrões.
Hoje mesmo, eu pude comprovar o quanto esses motores evoluíram. Cheguei pela manhã em Nova Iorque e aluguei um automóvel médio da Nissan para seguir viagem para Filadélfia. Fiz o percurso de 160 quilômetros em uma hora e quarenta e cinco minutos. O carro era automático e com desempenho bem legal.
O que me deixou surpreso foi constatar que o consumo de gasolina foi tão baixo que o ponteiro baixou apenas duas marcações, daí não precisei repor e nem fui cobrado pela locadora. Lembro-me de ter feito este mesmo percurso, com um modelo médio da Chrysler em 1998, tendo que repor quase meio tanque.
Os esforços para conseguir carros ainda mais econômicos estão apenas no início. A indústria dos motores a combustão sabem que terão que melhorar muito a performance deles para fazer frente ao aumento do preço do petróleo que a cada dia estará mais caro, em função da escassez e complexidade de exploração das resevas, ao avanço do carro elétrico e híbrido que rapidamente ganha força nos países desenvolvidos e, também, as legislações dos países desenvolvidos que estão mais restritivas com relação ao consumo de combustíveis fósseis, em função da poluição que ele provoca e dos altos custos para os governos.
A questão é saber se o aprimoramento dos motores a combustão serão conseguidos, na mesma escala pelos chineses, a exemplo do que já fizeram alguns de seus vizinhos. Por outro lado, resta aos fabricantes tradicionais investirem, também, no aprimoramento da qualidade de seus produtos e em vantagens para o consumidor, para tentar frear os preços baixos frutos dos gigantescos ganhos de escala dos fabricantes chineses.
Que a concorrência seja a cada dia mais acirrada e que o consumidor seja o maior beneficiado.
Pense nisso e ótima semana,
Evaldo Costa
Escritor, conferencista e Diretor do Instituto das Concessionárias do Brasil
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