O domingo de 5 de julho ficará marcado na memória dos proprietários de automóveis que participaram da Rota de Paranapiacaba 2009. Organizado pela Equipe Mundo Off Road (EMOR), o evento emplacou sucesso nas inscrições e atraiu o interesse de vários novatos pelo turismo fora-de-estrada. A bordo de 29 veículos 4x4 multimarcas, cerca de 100 pessoas saborearam as delícias de uma aventura off-road pelo interior do Parque Estadual da Serra do Mar (SP).
Após trechos rodoviários partindo de Santos e São Paulo, a largada do evento aconteceu na lanchonete Ponto de Encontro, às margens da Rodovia Anchieta (SP-150), no trevo de Riacho Grande. Perto das 8h00, após tradicional palestra com dicas de direção 4x4, o comboio partiu para os 50 quilômetros de lama, trilhas e obstáculos reservados no dia. Superar estes desafios e chegar à antiga vila operária cravada no coração da serra era o objetivo dos aventureiros.

No início do trajeto, ao longo da Rodovia Caminho do Mar (SP-148), o belo visual da represa Billings dosava a adrenalina dos pilotos e seus caronas. Trilhas encharcadas pelas chuvas que antecederam o dia do passeio prometiam fortes emoções. E a primeira delas veio com uma subida com 150 metros de terreno composto por extensos “facões” (ranhuras no solo). Com perícia, espírito de equipe e apoio da organização, todos superaram o obstáculo.
Um destes exemplos é o administrador de empresas Nelson Grassi, acompanhado pela esposa e filho no carro 17. Sem poder usar os recursos 4x4 de sua Hyundai Terracan, ele foi rebocado do trecho de subida pela Troller número 18 do empresário Luiz Lima. “É a primeira vez que venho num evento do tipo. Adorei as dicas e o clima de entrosamento presente em todos os participantes. Pretendo preparar o carro e participar mais vezes”, confessa Grassi.
Fazenda Taquarussu – Por da 11h40, os off-roaders desbravaram os trajetos desta imensa propriedade, cercada por eucaliptos e vegetação típica de Mata Atlântica. Dentro da Área de Proteção e Recuperação dos Mananciais da Represa Billings, este percurso oferecia muita lama e emoção aos pilotos e seus possantes brinquedos 4x4. Num trecho composto por atoleiros em curva, alguns reboques e patinadas fizeram a festa da descontraída galera.
Este foi um dos desafios da professora Valéria Camargo, praticante de off-road desde 2004. Acompanhada pela auxiliar Beatriz, sua filha de 11 anos, ela não abre mão das emoções da modalidade. Valéria também demonstra conhecimento nos aspectos técnicos. “Meu carro estava baixo e acabei ficando no atoleiro. O próximo passo é levantar a suspensão e colocar pneus mais apropriados”, explica as modificações que fará em seu Suzuki Vitara.
Gastronomia - Já passava das 13h00 e o almoço não podia ficar de fora da Rota de Paranapiacaba. Ele foi servido no aconchegante “Estação Cavern Club”. Recepcionados por Zélia Maria Paralego, proprietária e cozinheira do local, os famintos aventureiros puderam saborear delícias da culinária caseira. Brodo de galinha caipira, lagarto ao molho, arroz, feijão, farofa, salada verde e frango assado com batatas e alecrim formaram o delicioso cardápio.
Em Paranapiacaba desde 1961, dona Zélia também é especialista em contar histórias do lugar. Assim como os castelos assombrados na Inglaterra, ela diz que a vila inglesa herdou a cultura dos fantasmas. Galpões abandonados e o freqüente nevoeiro reforçam o clima sombrio. “A noiva que assustava os maquinistas da ferrovia e as crianças que corriam da mulher do quadro são lendas verdadeiras. Eu também já fui vítima de assombrações”, conta a simpática senhora.
Maria Fumaça – Apesar de curto, o passeio é grande dica de lazer do local. Movida a lenha, a máquina foi fabricada em 1886. Ela reboca um vagão de primeira classe no modelo P-112, usado no século 20 para transportar os barões do café até o porto de Santos. Ao som do apito e com bom humor, um jovem monitor conta casos aos passageiros da rápida viagem. A torre do relógio, no melhor estilo do Big Ben inglês, também forma um belo cenário fotográfico.
Localizada entre o Litoral e a Grande São Paulo, a Vila de Paranapiacaba surgiu para abrigar os operários da São Paulo Raiway Company, empresa inglesa responsável pela construção da ferrovia Santos-Jundiaí. Hoje, delícias gastronômicas, clima típico da montanha, chalés de madeira e museu funicular são algumas das atrações do antigo vilarejo. O ponto negativo fica por conta da degradação do patrimônio histórico e das vias públicas do lugar.
Casal novato - O destaque da Rota de Paranapiacaba ficou por conta dos novos participantes. O casal Ticiana e Luis César Mendes é um bom exemplo. A nutricionista e o engenheiro resolveram apostar na prática da modalidade. “Faz seis meses que compramos o Suzuki Samurai. Depois de toda a preparação, resolvemos testar o carro. Também gostamos de boa comida, lugares rústicos e novas amizades. A organização está de parabéns por tudo isso”, agradece ele.
Mais informações sobre o lugar você encontra no site da Sociedade de Preservação e Resgate de Paranapiacaba -
www.paranapiacaba-spr.org.br. Prepare-se para a próxima e não deixe de conferir as
imagens deste belo passeio. Não perca a Rota de Ilhabela 2009! Em breve....
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